06 março 2016

Até onde vai dar


Eu queria esquecer você de vez. Não me segure com força agora, estou tentando te esquecer, fica tudo mais difícil com você em volta, com você na porta me olhando voltar com seus olhos tipo faróis de um carro veloz, na noite gelada. Como eu vou te esquecer desse jeito? Eu ainda não tirei todas as minhas conclusões do que você sente para nos dar o diagnóstico de tudo que aconteceu, então diga-me o que sente, eu vou tentar te escrever, só me diga porque tudo isso ainda não terminou.
Você parece sozinho agora com seus vícios e discos de vinil, você parece confuso agora com todas as minhas possíveis chances de te trazer de novo pra minha vida e depois todas as despedidas repentinas que duram uma semana. Eu não consigo imaginar algo para nós dois que não seja essa emergência, essa ventania, eu não consigo imaginar mais nada para nós dois que não seja ver você indo e depois voltando, e eu não conseguindo ficar.
Todas as vezes que você pergunta porque não fazemos durar, eu desvio o olhar, desvio o assunto, você devia ter notado que é tudo devastador, devorador, o que nos desvenda. E quando os nossos olhares se encontram do nada eu sinto como se fossemos parte de uma história muito mais louca do que achamos fazer parte. Então você me conta da sua vida, bebe metade da garrafa, xinga algumas pessoas no meio de todo o seu desabafo, a gente fingi que está tudo bem porque estamos loucos demais para perceber que tudo isso irá se despedaçar depois.
Eu só queria que não fosse difícil deixar de te procurar a cada momento em que a bagunça que eu faço me bagunça também, quando os problemas parecem tomar todos os cantos, eu não queria precisar de você para me abraçar no meio desse barulho, mas você me norteou e eu só não sei usar essa bússola para encontrar o ponto em que fazemos as coisas permanecerem sãs.
Ainda fico em dúvida sobre essa sua esperança sem fim no amor, talvez aí é que nos distanciamos, eu não consigo ficar bem se não estivermos jogando limpo, vou acreditando aos poucos nas suas frases feitas, aos poucos eu me deixo por completo ser seu abraço, mas por um momento tudo isso me assusta, saímos de cena, as luzes se apagam, eu me protejo da sua imensidão, porque me afogar é tão fácil, quando você volta todas as vezes que a maré está cheia.
E eu continuo sem entender, você diz que essa é a graça das coisas, enquanto estamos nos esperando, resolvendo nossas vidas, o tempo vai indo, a gente vem vindo, se vendo, até ver onde vai dar.












8 comentários:

  1. Oi, Carol!
    Que texto lindo! Me identifiquei um pouco, na verdade bastante <3
    Beijos!
    Borboletas de Papel | Fanpage

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  2. Belíssimo texto! Um tempo sem a pessoa amada é um tempo perdido.

    http://jj-jovemjornalista.blogspot.com.br/

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  3. Que texto maravilhoso. Demonstra um sentimento que eu ja senti há um tempo atrás mas que felizmente, ou infelizmente, não sei ainda, eu deixei de sentir, mas sempre volta aquele gosto de querer mais.

    http://www.agindodiferente.com/

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    Respostas
    1. Fico super contente de saber que o meu texto te traz algum tipo de identificação! Obrigada, e volte sempre <3

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